sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Issac Newton



Era um fim de tarde de 1606. O jovem Isaac Newton, com um livro debaixo do braço, penetrou no pomar da mãe, no coração da Inglaterra. Sentou-se sob uma árvore e a mais famosa maçã da história caiu. Certamente que lhe doeu, mas também fez com que o jovem cientista de vinte e três anos pensasse no assunto.
No mesmo dia, Isaac debatia-se com o problema do que mantinha a Lua na sua órbita à volta da Terra e os planetas nas suas rotas em volta do Sol. Foi depois de pensar sobre a causa da queda da maçã, que ele começou a encontrar a resposta para aquelas questões.

A Infância...

Newton nasceu pouco depois da meia-noite do dia de Natal de 1642. Foi um parto prematuro e o médico que assistiu não esperava que ele sobrevivesse. O seu pai, um agricultor bastante próspero, morreu três meses antes do nascimento de Isaac, deixando a mulher, Hannah, com a responsabilidade das propriedades e o cuidado da frágil criança.
Quando tinha 3 anos a mãe decidiu voltar a casar; o novo marido era um clérigo rico, Barnabas Smith. Após o casamento, ele aconselhou-a a deixar o filho a viver com a avó. Hannah e Barnabas mudaram-se para a aldeia onde ele era prior.
A infância de Isaac foi um período muito solitário, fez poucos amigos e era normalmente introvertido. Fechava-se frequentemente num quarto das traseiras da casa da avó e passava lá o dia construindo modelos e ferramentas.
Quando tinha 10 anos, o padrasto morreu e a sua mãe voltou para casa onde Newton vivia com a avó. Dois anos mais tarde, Isaac foi para o liceu, situado perto da casa do tio com quem ficou a viver. Foi considerado um aluno médio pelos professores e insociável pelos seus colegas. Ignorava o trabalho da escola e passava a maior parte do tempo a construir modelos e a fazer as suas próprias experiências.
Em 1659, Hannah decidiu retirar o filho do liceu e pô-lo a trabalhar na propriedade agrícola da família. Mas, felizmente, o seu génio já tinha sido reconhecido pelo tio com quem vivera e pelo director do liceu. Além disso, a sua capacidade de trabalho na lavoura não era das melhores, deixando frequentemente o trabalho inacabado. Assim, devido à persuasão destes dois homens, Newton foi admitido na Universidade de Cambridge em 1661.

Cambridge, Prismas e a Teoria da Luz...

luzA mãe de Isaac não tinha recursos para pagar todos os custos universitários; por isso ele entrou na universidade como um bolseiro especial; em vez de receber uma bolsa, pagava à Universidade com trabalho, limpando os quartos.
Numa tarde de Domingo de 1664, Isaac e John Wickins, o seu companheiro de quarto, decidiram visitar uma feira. Enquanto conversava com John, o seu olhar foi atraído por um objecto que brilhava ao sol de fim de tarde, um prisma.
Como os prismas eram considerados brinquedos, os cientistas nunca se tinham preocupado em fazer experiências com eles, contentando-se em maravilhar-se como o efeito de arco-íris, ao qual Newton denominou de espectro. Não satisfeito com a simples observação, traduziu-a para a linguagem matemática e apresentou hipóteses. Foi isto que o fez tão diferente dos cientistas da sua época.
Isaac descobriu que a luz visível, a luz que nos permite ver o mundo, era constituída por todas as tonalidades do arco-íris. Quando estas se encontram misturadas, vê-se luz branca. Quando falta uma parte do espectro, a luz já não aparece branca, mas de cor.
A publicação das descobertas de Newton causaram grande impacto no fabrico de lentes e permitiram transformar o microscópio num instrumento mais sofisticado. No entanto, o resultado mais importante do trabalho de Newton sobre a luz foi o aparecimento de uma nova ciência, a Espectroscopia.
Em Abril de 1664, depois de três anos de estudo, tornou-se num verdadeiro bolseiro, deixando de fazer os trabalhos a que era obrigado. Um ano mais tarde foi-lhe concedido o bacharelato. Isto significava que ele poderia passar mais quatro anos no Trinity College, continuando qualquer outro curso.

A Peste e a Maçã...

No verão de 1665 uma grande calamidade abateu-se sobre o país: a Grande Peste. Cambridge tornara-se, então, demasiado perigosa para ser habitada e a Universidade foi encerrada. Newton voltou para a sua terra natal, onde pretendia continuar os seus estudos. No fim do Verão deu-se a grande descoberta quando ocorreu o incidente da maçã, e Newton começou a trabalhar na sua Teoria da Gravidade Universal. Quando a maçã caiu sobre a sua cabeça, ele soube que esta tinha sido atraída para a Terra pela mesma força invisível que mantinha os planetas nas suas órbitas: a Força da Gravidade. Mas outra questão surgiu: se era esse o caso, por que é que os planetas não se despenhavam contra o Sol, tal como a maçã contra o solo?
Já de volta a Cambridge, tudo parecia fazer sentido, tinha de haver outra força, que produzia o efeito de repulsão sobre os planetas e que era equivalente à força atractiva do Sol: a Força Centrífuga. E ela só se manifestava quando um corpo rodava em volta de outro, a uma velocidade suficiente. Fora por isso que a maçã não flutuava sobre a sua cabeça, ela não estava a girar à volta da Terra como a Lua, não sofrendo, por isso, a força centrífuga, e fora atraída para o chão por causa da força da gravidade.

Professor Isaac Newton e a Royal Society...

Com 26 anos, Newton tornou-se o mais jovem Professor de Matemática da história de Cambridge, depois do seu grande amigo, o Professor Barrow decidir reformar-se e nomeá-lo como seu sucessor.
O lugar de professor exigia que ele fizesse conferências várias vezes por ano, mas Newton era um fraco orador. O número dos assistentes desceu gradualmente e, numa famosa ocasião, ele deu uma conferência para uma sala vazia.
No início de 1672, Newton foi convidado a tornar-se membro da distinta "Royal Society", um pequeno círculo constituído por cientistas de categoria superior. Logo após se ter associado, fez uma demonstração para todos os membros da sua Teoria da Luz. Foi nessa palestra que conheceu outro grande cientista, Robert Hooke. Este considerava-se o especialista na área da Luz e discordava da teoria de Newton. Pela primeira vez, Newton confrontava-se com um cientista que lhe era equiparado. Durante muitos anos, acérrimas discussões assolaram a Royal Society e toda a comunidade científica.
Devido às frequentes discussões, Newton decidiu abandonar a Física e a Matemática e dedicar-se à Alquimia. Os alquimistas não eram cientistas, pareciam-se mais com feiticeiros. Mas Newton estava convencido que podia dar uma contribuição valiosa a esta inexplorada área da ciência. Usou os seus métodos científicos na Alquimia mas, ao contrário do que acontecera com a Física e Matemática, não fez grandes descobertas nesta área.

Leis do Movimento e os Principia...

Os seus estudos em Alquimia foram interrompidos com a noticia de que sua mãe estava a morrer. Durante seis meses o seu tempo foi ocupado a tratar de assuntos referentes à propriedade da mãe. Levou meses a perceber o funcionamento do solar e da propriedade agrícola, e só no início de 1680 pôde entregar a propriedade a um gestor competente e voltar para Trinity.
As querelas entre Newton e Hooke voltaram, agora, sobre as Leis do Movimento que Newton se encontrava a desenvolver e que Hooke reclamara que as tinha pensado primeiro, faltando-lhe só o "fatigante" trabalho de cálculo. Mas só publicou os seus estudos após persuasão de um dos seus melhores amigos, o cientista Edmund Halley; que o convenceu a escrever um relato completo das suas maiores descobertas. Newton precisou de dois anos para acabar o seu livro, trabalhando dia e noite para o completar.
A 28 de Abril de 1686 o livro estava finalmente pronto, chamava-se Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, mas é normalmente conhecido como Principia. Ninguém sabe realmente de que doença Newton sofreu entre 1693 e 1696. Alguns afirmaram que ele teve um esgotamento nervoso, outros simplesmente que ele estava fisicamente exausto. Esses anos foram considerados mais tarde pelo próprio como os piores da sua vida, em que pouco conseguiu no campo da Física e não fez nenhum progresso real na Alquimia. O apoio de todos os amigos fez com que gradualmente sai-se da depressão e da sua doença física.

A Casa da Moeda Real e a Presidência da Royal Society ... até ao fim.

moedaEm 1696, Newton foi convidado para assumir o importante cargo de Administrador da Casa da Moeda Real. Aceitou imediatamente a oferta e durante algum tempo abandonou por completo a pesquisa científica e lançou-se numa nova carreira. A Inglaterra estava a mudar a sua cunhagem e necessitava fortemente de ser actualizada e melhorada, e Newton revelou-se o homem ideal para conseguir que esta mudança se desse com suavidade.
Em 1703, os membros da Royal Society elegeram Newton como o seu novo líder. Quando assumiu a presidência, o número de membros era o mais baixo de sempre. Mas, Newton transformou-a na instituição respeitada e mundialmente famosa que é hoje.
Em 1704, foi persuadido a publicar o trabalho que começara quando ainda era graduado em Cambridge, chamou–lhe Opticks. Neste livro, descreveu as suas descobertas com a Luz e foi outro sucesso imediato.
No ano posterior à publicação de Opticks, Newton foi armado cavaleiro pela rainha Ana, em recompensa pelos trabalhos realizados.
Durante mais 33 anos manteve a ilustre posição que ocupava tanto na Ciência como no funcionalismo público. Não publicou mais nenhum trabalho de grande importância, mas, na verdade, já tinha oferecido ao mundo dois dos maiores trabalhos publicados até então.
Sir Isaac Newton faleceu a 20 de Março de 1727 com 84 anos, tendo estado doente durante vários meses. Foi enterrado na Abadia de Westminster, em Londres, a 4 de Abril.
"Na minha opinião, os maiores génios criativos foram Galileu e Newton, a quem vejo, em certo sentido, como uma unidade. E nesta unidade Newton é aquele que atingiu a mais imponente realização no reino da ciência."
Albert Einstein
"Não sei o que pareço ao mundo, mas, a mim, parece-me ter vivido apenas como um rapazinho brincando à beira do mar divertindo-se ... enquanto o grande oceano da verdade se estendia, por descobrir, na minha frente."
Isaac Newton
Glória Almeida

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Louis Pasteur

(1822 - 1895) Químico e biólogo francês nascido em Dôle, Jura, na parte leste do país, inventor do processo de pasteurização e célebre por suas pesquisas sobre doenças infecciosas, meios de contágio, prevenção e controle. Filho de um curtidor, estudou química em Sorbonne, onde se dedicou ao estudo da estrutura dos cristais e seus efeitos ópticos. Obteve o título de Mestre em Ciências École Normale Supérieure, Paris (1846) e onde tornou-se doutor em física e química (1847) lançando uma tese sobre cristalografia, onde associou a cristalografia, a química e a óptica e estabeleceu o paralelismo entre a forma exterior de um cristal, sua constituição molecular e sua ação sobre a luz polarizada, trabalho este que se tornaria a base da estereoquímica. Depois de conquistar uma cátedra de Química em Estrasburgo (1854), tornou-se professor dessa matéria (1854) na recém-fundada Faculdade de Ciência da Universidade de Lille. Explicou a isomeria dos ácidos tartáricos (1860) e, ao estudar o problema do azedamento com os produtos da indústria cervejeira e de vinhos de Lille, descobriu que o vinho se transforma em vinagre sob a ação do fermento Mycoderma aceti, descobrindo, assim, que a putrefação e a fermentação eram causadas por microorganismos já presentes no líquido, confirmando os resultados de Cagniard e de Schwann, e estendeu suas conclusões ao azedamento do leite, à doença do bicho da seda e a raiva dos animais.

Desenvolveu, então, experiências e conseguiu eliminar os microorganismos, sem alterar as propriedades dos produtos, submetendo o vinho a alta temperatura por um tempo limitado (de 15 a 30 minutos, dependendo da temperatura), inventando, assim, a pasteurização, nome do processo de esterilização de líquidos. Esse processo e os estudos de Pasteur sobre germes (1862) e doenças infecciosas proporcionaram grande avanço à microbiologia e à assepsia cirúrgica e industrial. Realizou uma série de experiências com os frascos tipo pescoço de cisne (1864) demonstrando que não existe no ar ou nos alimentos qualquer princípio ativo capaz de gerar vida espontaneamente, abrindo caminho para a biogênese, segundo a qual a vida se origina de outro ser vivo preexistente.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ivante August Arrhenius

(1859 - 1927)Físico, matemático e químico sueco, nascido no condado de Wijk, criador da teoria da dissociação eletrolítica. Filho de um administrador do local, perto de Uppsala. Realizou seus estudos iniciais e de graduação em Uppsala.

Foi para Estocolmo (1821) a fim de cursar o doutoramento, estudando com o professor Erik Edlund, que o orientou no estudo das descargas elétricas através dos gases (1891-1905). As anomalias observadas nas propriedades das soluções de eletrólitos, substâncias solúveis pela ação da eletricidade, levaram-no a estabelecer a teoria da dissociação eletrolítica, cujos fundamentos foram apresentados pela primeira vez à comunidade científica quando da defesa de sua tese de doutorado (1884), no Instituto de Física de Estocolmo, passando a se dedicar exclusivamente a sua pesquisa sobre eletrólitos (1886-1890). Definitivamente se tonou o criador da teoria da ionização dos eletrólitos (1887), ao aperfeiçoar o enunciado de sua teoria e receber o apoio de renomados cientistas de sua época como William Ostwald, Ludwig Boltzmann e Jacobus van't Hoff.

Sua conclusão foi a de que os eletrólitos em solução dissociavam-se em partículas carregadas eletricamente e que a soma das cargas positivas e negativas era igual, sendo a solução, portanto, eletricamente neutra. Essas partículas carregadas, denominadas ânions, quando negativas, e cátions, quando positivas, se formavam a partir das estruturas químicas das substâncias solubilizadas.

Também desenvolveu a equação físico-química que determina a dependência da velocidade da maioria das reações com a temperatura.

Foi nomeado reitor do Real Instituto de Tecnologia de Estocolmo (1896). Cunhou a expressão efeito estufa (1896), prevendo que a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, aumentaria a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera e levaria ao aumento das temperaturas em todo o globo terrestre. Também formulou uma teoria sobre as caudas dos cometas com fundamento na pressão de radiação (1900). Apesar de seu prestígio no exterior, teve de enfrentar forte oposição na Suécia para ser nomeado (1901) membro da Academia Sueca de Ciências. Ganhou o Prêmio Nobel de Química (1903) por sua teoria da dissociação eletrolítica e foi diretor Instituto Físico-Químico da Fundação Nobel (1905-1927). Em Worlds in the Making, advogava a teoria de que a energia no mundo era auto-renovável.

sábado, 11 de novembro de 2017

Leonhard Euler


(1707 - 1783) Físico-matemático suíço nascido em Basiléia, o mais brilhante gênio da matemática pura e aplicada de todos os tempos. De uma família tradicionalmente dedicada à pesquisa científica, filho de um pastor luterano que tinha sido aluno de Jacques Bernoulli, este um matemático de renome à época, mas que preferiria que o filho seguisse a carreira teológica. Estudou matemática com Jean Bernoulli, tornando-se grande amigo dos seus dois filhos Nikolaus e Daniel. Além de matemática também estudou medicina, astronomia, física óptica, teologia e línguas estrangeiras com o pai e outros professores. Por indicação dos irmãos Bernoullis, a convite de Catarina I, que morreria pouco depois, assumiu a área de medicina e fisiologia na Academia de Ciências de São Petersburgo (1727). Antes de ir para a Rússia já havia recebido menção honrosa da Académie des Sciences de Paris (onde ganhou por 12 vezes o cobiçado prêmio bienal) por um ensaio sobre mastros de navio.

Com o retorno de Daniel à Suíça, tornou-se o principal professor de matemática da Academia, contribuindo intensamente com o conteúdo e credibilidade da revista matemática da Academia: Commentarii Academiae Scientiarum Imperialis Petropolitanae. Ainda na Rússia casou e teve alguns dos seus treze filhos e perdeu a vista direita (1733), ao que parece por excesso de trabalho ou por um problema neurológico.

Introduziu o conceito de derivadas parciais (1734), iniciou pesquisa sobre mecânica analítica e criou a moderna teoria das frações contínuas e o cálculo das variações. Publicou seu primeiro livro histórico, Mechanica (1736). A convite de Frederico II o Grande, foi para a Alemanha (1741), para fazer parte da Academia de Berlim, onde viveu os 25 anos seguintes, e onde continuou recebendo pensão de São Petersburgo e publicando naquela instituição. Publicou o Introductio in analysin infinitorum (1748), talvez seu mais importante livro.

Desgostoso com o pouco interesse da corte alemã por matemática e já sabendo que estava ficando cego por causa de catarata, voltou a Rússia (1766), a convite de Catarina II a Grande, onde além de ampliar sua atividade ao estudo da mecânica, óptica, acústica e astrofísica, estudou o movimento lunar, o fenômeno dos eclipses e as posições relativas dos astros, e publicou o livro Institutiones calcalis algebricorum (1771), sistematizando o estudo da álgebra. Neste ano (1771) cegou definitivamente, porém não parou de produzir, normalmente ditando para seus filhos, vivendo assim até que morreu repentinamente (1783), em São Petersburgo.

Publicou mais de 500 livros e artigos durante sua vida, mas muitas outras obras foram publicadas postumamente por quase meio século totalizando em torno de 900 publicações conhecidas, com uma produção matemática durante sua vida girando em torno da inigualável marca de 800 páginas por ano. Por meio de livros e monografias que apresentou à Academia, aperfeiçoou os conhecimentos da época sobre cálculo integral, desenvolveu a teoria das funções trigonométrica e logarítmica e simplificou as operações relacionadas à análise matemática. Sua contribuição para a geometria analítica e para a trigonometria é comparável à de Euclides para a geometria plana.

A tendência a expressar operações físicas e matemáticas em termos aritméticos incorporou-se desde então aos procedimentos das ciências exatas. Com muita facilidade para aprender idiomas, preferia escrever em latim, mas também escreveu em francês e alemão. Escrevia também em vários níveis, inclusive livros de texto para uso em escolas russas sendo o principal deles a Intruductio (1748). Também deve-se a ele a maioria das notações matemáticas (simbologia, terminologia e idéias) em uso nas universidades nos dias de hoje, com por exemplo, p , S , i, e e f(x), a base dos logaritmos naturais ou neperianos e (de Euler) a, b, e c para os lados de um triângulo e A, B e C para seus ângulos.

Na hidráulica desenvolveu estudos sobre pressões em escoamento de fluidos, introduziu o conceito de cavitação e princípios sobre máquinas centrífugas, formulou a equação básica de movimento do teorema de Daniel Bernoulli e foi o autor do conjunto de variáveis, as variáveis de Euler, que servem para definir em cada ponto de um escoamento, em cada instante, um vetor velocidade. Também é de sua autoria trabalhos sobre turbo-máquinas (1751-1754), básicos para a compreensão do funcionamento das máquinas de reação e que foram fundamentais no século XIX, para os estudos das Rodas Poncelet e sobre turbinas propriamente ditas.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Linus Carl Pauling

(1901 - 1995) Engenheiro químico norte-americano, nascido em Portland, Oregon, um dos cientistas mais conhecidos pelo público no século XX. Estudou no Oregon State Agricultural College (agora Oregon State University), onde se graduou em engenharia química (1922) e obteve doutoramento no California Institute of Technology, Caltech (1925), em Pasadena. Após estágios em Munique, Copenhague, Zurique e Londres, voltou aos Estados Unidos para ser catedrático de química na Universidade da Califórnia (1927-1931). Notabilizando-se por ser dotado de uma imaginação altamente criativa, sua maior contribuição científica foi no campo das ligações químicas através da hábil aplicação da teoria quântica, desde que começou a publicar seus trabalhos (1928). Dirigiu os laboratórios de química de Gates e Crellin (1936-1958). Reuniu os resultados de suas pesquisas em um livro de grande repercussão no mundo científico: The Nature of the Chemical Bond (1939), adaptando a mecânica quântica ao estudo químico de átomos e moléculas, e publicou Uma teoria da estrutura e do processo de formação de anticorpos (1940).

Também se destacou em pesquisas sobre estruturas moleculares com publicações sobre proteínas, aminoácidos e polipeptídeos. Suas ousadas experiências levaram-no também a descobertas no campo da biologia molecular, como a identificação do defeito genético, nas moléculas de hemoglobina, que causa a anemia falciforme, e foi também um dos pioneiros no estudo da estrutura do ADN. Ganhou o Prêmio Nobel de Química (1954) e o Nobel da Paz (1962) pela sua militância pacifista, foi perseguido pelo macarthismo, seu empenho contra os testes nucleares e a publicação do livro No More War! (1958), sendo o único a ganhar duas vezes sozinho o Prêmio Nobel. Recebeu da URSS o Prêmio Lenin por sua militância pela paz (1970).

Fundou o Instituto Linus Pauling de Ciências e Medicina, em Palo Alto, Califórnia, no qual permaneceu trabalhando, mantendo-o com recursos provenientes dos prêmios que tinha recebido. Também ensinou na Universidade de Califórnia em Santa Barbara e associou-se ao departamento de química da Stanford University (1969), onde se notabilizou por defender a teoria de que altas doses de vitamina C poderiam prevenir ou curar resfriados comuns e outras doenças. Mais tarde, foi demonstrado por pesquisas in vivo que o organismo absorve no máximo 1g de vitamina C por dia, eliminando o excesso pela urina.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Karl Landsteiner


A ideia surgiu ao ler uma biografia de Karl Landsteiner; porque não escrever pequenas biografias sobre grandes génios? Porque não falar sobre aqueles, que por ainda ninguém ter descoberto a vida eterna, não se encontram já entre nós?...
Pois bem, é isso que eu proponho fazer, falar sobre grandes génios, dando uma visão global da sua vida cientifica e, na medida do possível, da sua vida pessoal.
Há um século atrás, em 1900, Karl Landsteiner descobriu os grupos sanguíneos humanos tornando assim possível efectuar com êxito transfusões sanguíneas - até à data apenas uma pequena percentagem das transfusões realizadas tinha sucesso, sendo mesmo proibida a sua prática.

Karl Landsteiner nasceu a 14 de Junho de 1868 em Viena. O seu pai, Leopold Landsteiner, era um proeminente jornalista e um dos fundadores do jornalismo moderno austríaco, que vem a falecer aos 57 anos de ataque cardíaco após uma crise financeira e profissional.

Após perder prematuramente o pai, Karl Lansteiner, com apenas 7 anos, viveu com a sua mãe em completa reclusão. A devoção que lhe dedicava era tão profunda, que manteve a máscara funerária da mãe no seu quarto durante toda a sua vida.

Estudos

Cursou medicina na Universidade de Viena onde se dedicou ao estudo da Anatomia, Botânica e Histologia. Ainda durante o curso ofereceu-se como voluntário e cumpriu o serviço milita,r tendo sido destacado para um hospital ambulante. Na Universidade fez pós-graduações em Química e Ciências Cirúrgicas, tendo oportunidade de trabalhar com Anton Weichselbaum (descobridor do meningococos) e com Fränkel (co-descobridor do pneumococos).

Apesar de ter nascido judeu, converteu-se ao catolicismo, como era hábito entre as famílias "intelectuais" de judeus na época. No entanto, a prática religiosa não significava muito para Karl Landsteiner; a conversão ao catolicismo afastou-o do seu ambiente natural, o que lhe permitiu entregar-se totalmente ao seu trabalho cientifico.

A Investigação

As suas primeiras publicações foram sobre os glicolaldeidos e sobre a relação entre o diazobenzol e o permanganato de potássio. Neste último estudo, Landsteiner apercebeu-se do valor potencial desta relação na compreensão da especificidade das relações antigénio-anticorpo. Apesar dos seus primeiros trabalhos serem sobre química, em 1897 tornou-se assistente do director do Instituto de Anatomia Patológica de Viena, executando um quinto das autópsias realizadas por esta instituição. Durante este período publicou diversos artigos, na sua maioria sobre serologia, mas também sobre bacteriologia, virologia e anatomia patológica.

No 13º artigo de Karl, escrito em 1900, descrevia a aglutinação em glóbulos vermelhos humanos, em nota de rodapé. Nesta nota, ele chamou à atenção para o comportamento fisiológico da reacção de aglutinação entre misturas de amostras de sangue humano, discutindo a possibilidade de ocorrência de variações individuais. Noutro artigo publicado posteriormente, Karl chega a uma regra que ainda hoje é aplicada, em que "os antigénios e os anticorpos correspondentes não coexistem fisiologicamente no sangue do mesmo indivíduo". Ironicamente, Karl não reconheceu a importância da sua descoberta, por isso publicou-a em rodapé, tendo escrito num dos artigos: "Espero que isto venha a ser útil para a humanidade"! Alguns dos seus pares e assistentes desenvolveram, nos anos seguintes, as suas ideias chegando à actual nomenclatura do sistema AB0.
Após a morte da mãe em 1902, Karl deu início a uma investigação profunda como Director de Patologia e Professor Assistente de Anatomia Patológica no Hospital Wilhelmina em Viena.

Já com 48 anos e alguns anos após a morte da mãe, casa com Helena Wlasto, que lhe deu um filho, Ernest Karl, que viria a ser um cirurgião largamente conhecido em Rhode Island, onde praticava medicina.

Após a I Guerra Mundial

No final da primeira Guerra Mundial, Viena estava devastada e a população com fome. Esta situação levou Karl a aceitar um lugar como técnico de dissecção de anatomia no R.K. Ziekenhuis, um hospital católico em Haia. Nesta instituição executava análises clínicas de rotina à urina e ao sangue, exames post-mortem e exames histológicos. Toda esta actividade tinha lugar numa única sala. As condições de vida na Holanda eram melhores do que na Áustria, mas Landsteiner sentia-se desapontado com a sua actividade profissional e as perspectivas científicas. Aceitou, por isso, o convite de trabalho do Instituto Rockfeller em Nova Iorque mudando-se para lá com a família. Esta decisão provavelmente salvou a sua vida e a do filho de morrerem numa câmara de gás nazi, alguns anos mais tarde.

Também o trabalho em Nova Iorque decepcionou Landsteiner, devido à gestão inflexível do Instituto e ao pequeno espaço que lhe foi cedido para trabalhar, até à data em que recebeu o Prémio Nobel. No Instituto dedicou-se à investigação nas áreas da Imunologia, Serologia, Genética e Imunoquímica.

Neste período, Landsteiner, em conjunto com Philip Levine descobriu os antigénios M, N e P. Esta descoberta foi relatada em 18 linhas - a brevidade desta comunicação rivalizava com a nota de rodapé na qual Landsteiner "descobriu" o grupo sanguíneo AB0!

Prémio Nobel

Em 1930 Landsteiner recebeu o Prémio Nobel, a notícia foi-lhe dada por 2 dos seus assistentes, mas ele ignorou-a. Quando, durante o mesmo dia, a rádio e os jornais anunciaram a notícia do prémio, Landsteiner continuou a não acreditar! E não mencionara o facto à mulher com receio que ela mais tarde viesse a ficar desapontada.

Existem 2 aspectos nunca explicados acerca do comportamento de Landsteiner durante as cerimónias de entrega do Prémio Nobel:

não se fez acompanhar da mulher nem do filho a Estocolmo
nas fotografias oficiais todos os laureados se encontravam de frente para a câmara, excepto Landsteiner que se sentou de perfil.
Para além da contribuição para a Medicina Transfusional, Landsteiner realizou outros estudos em diversas áreas, igualmente importantes.

Aos 71 anos (1939) aposentou-se do Instituto Rockfeller, mas continuou a trabalhar num pequeno laboratório com alguns dos seus assistentes. Os seus últimos anos de vida foram despendidos em estudos sobre tumores malignos, por surgirá sua mulher uma neoplasia na tiróide, da qual viria a morrer.

"Assim, através da pesquisa infatigável efectuada na tranquilidade do seu laboratório, Landsteiner tornou-se um dos maiores benfeitores da humanidade. Onde quer que no mundo de hoje se efectue uma transfusão, onde quer que uma mãe preocupada descubra que a vida do filho foi salva, Landsteiner estará ao seu lado a acompanhá-la, embora não o possamos ver." 
Prof. Herman Chiari

Glória Almeida

domingo, 5 de novembro de 2017

Karl Landsteiner



A ideia surgiu ao ler uma biografia de Karl Landsteiner; porque não escrever pequenas biografias sobre grandes génios? Porque não falar sobre aqueles, que por ainda ninguém ter descoberto a vida eterna, não se encontram já entre nós?...
Pois bem, é isso que eu proponho fazer, falar sobre grandes génios, dando uma visão global da sua vida cientifica e, na medida do possível, da sua vida pessoal.
Há um século atrás, em 1900, Karl Landsteiner descobriu os grupos sanguíneos humanos tornando assim possível efectuar com êxito transfusões sanguíneas - até à data apenas uma pequena percentagem das transfusões realizadas tinha sucesso, sendo mesmo proibida a sua prática.
Karl Landsteiner nasceu a 14 de Junho de 1868 em Viena. O seu pai, Leopold Landsteiner, era um proeminente jornalista e um dos fundadores do jornalismo moderno austríaco, que vem a falecer aos 57 anos de ataque cardíaco após uma crise financeira e profissional.
Após perder prematuramente o pai, Karl Lansteiner, com apenas 7 anos, viveu com a sua mãe em completa reclusão. A devoção que lhe dedicava era tão profunda, que manteve a máscara funerária da mãe no seu quarto durante toda a sua vida.

Estudos

Cursou medicina na Universidade de Viena onde se dedicou ao estudo da Anatomia, Botânica e Histologia. Ainda durante o curso ofereceu-se como voluntário e cumpriu o serviço milita,r tendo sido destacado para um hospital ambulante. Na Universidade fez pós-graduações em Química e Ciências Cirúrgicas, tendo oportunidade de trabalhar com Anton Weichselbaum (descobridor do meningococos) e com Fränkel (co-descobridor do pneumococos).
Apesar de ter nascido judeu, converteu-se ao catolicismo, como era hábito entre as famílias "intelectuais" de judeus na época. No entanto, a prática religiosa não significava muito para Karl Landsteiner; a conversão ao catolicismo afastou-o do seu ambiente natural, o que lhe permitiu entregar-se totalmente ao seu trabalho cientifico.

A Investigação

As suas primeiras publicações foram sobre os glicolaldeidos e sobre a relação entre o diazobenzol e o permanganato de potássio. Neste último estudo, Landsteiner apercebeu-se do valor potencial desta relação na compreensão da especificidade das relações antigénio-anticorpo. Apesar dos seus primeiros trabalhos serem sobre química, em 1897 tornou-se assistente do director do Instituto de Anatomia Patológica de Viena, executando um quinto das autópsias realizadas por esta instituição. Durante este período publicou diversos artigos, na sua maioria sobre serologia, mas também sobre bacteriologia, virologia e anatomia patológica.
No 13º artigo de Karl, escrito em 1900, descrevia a aglutinação em glóbulos vermelhos humanos, em nota de rodapé. Nesta nota, ele chamou à atenção para o comportamento fisiológico da reacção de aglutinação entre misturas de amostras de sangue humano, discutindo a possibilidade de ocorrência de variações individuais. Noutro artigo publicado posteriormente, Karl chega a uma regra que ainda hoje é aplicada, em que "os antigénios e os anticorpos correspondentes não coexistem fisiologicamente no sangue do mesmo indivíduo". Ironicamente, Karl não reconheceu a importância da sua descoberta, por isso publicou-a em rodapé, tendo escrito num dos artigos: "Espero que isto venha a ser útil para a humanidade"! Alguns dos seus pares e assistentes desenvolveram, nos anos seguintes, as suas ideias chegando à actual nomenclatura do sistema AB0.
Após a morte da mãe em 1902, Karl deu início a uma investigação profunda como Director de Patologia e Professor Assistente de Anatomia Patológica no Hospital Wilhelmina em Viena.
Já com 48 anos e alguns anos após a morte da mãe, casa com Helena Wlasto, que lhe deu um filho, Ernest Karl, que viria a ser um cirurgião largamente conhecido em Rhode Island, onde praticava medicina.

Após a I Guerra Mundial

No final da primeira Guerra Mundial, Viena estava devastada e a população com fome. Esta situação levou Karl a aceitar um lugar como técnico de dissecção de anatomia no R.K. Ziekenhuis, um hospital católico em Haia. Nesta instituição executava análises clínicas de rotina à urina e ao sangue, exames post-mortem e exames histológicos. Toda esta actividade tinha lugar numa única sala. As condições de vida na Holanda eram melhores do que na Áustria, mas Landsteiner sentia-se desapontado com a sua actividade profissional e as perspectivas científicas. Aceitou, por isso, o convite de trabalho do Instituto Rockfeller em Nova Iorque mudando-se para lá com a família. Esta decisão provavelmente salvou a sua vida e a do filho de morrerem numa câmara de gás nazi, alguns anos mais tarde.
Também o trabalho em Nova Iorque decepcionou Landsteiner, devido à gestão inflexível do Instituto e ao pequeno espaço que lhe foi cedido para trabalhar, até à data em que recebeu o Prémio Nobel. No Instituto dedicou-se à investigação nas áreas da Imunologia, Serologia, Genética e Imunoquímica.
Neste período, Landsteiner, em conjunto com Philip Levine descobriu os antigénios M, N e P. Esta descoberta foi relatada em 18 linhas - a brevidade desta comunicação rivalizava com a nota de rodapé na qual Landsteiner "descobriu" o grupo sanguíneo AB0!

Prémio Nobel

Em 1930 Landsteiner recebeu o Prémio Nobel, a notícia foi-lhe dada por 2 dos seus assistentes, mas ele ignorou-a. Quando, durante o mesmo dia, a rádio e os jornais anunciaram a notícia do prémio, Landsteiner continuou a não acreditar! E não mencionara o facto à mulher com receio que ela mais tarde viesse a ficar desapontada.
Existem 2 aspectos nunca explicados acerca do comportamento de Landsteiner durante as cerimónias de entrega do Prémio Nobel:
  1. não se fez acompanhar da mulher nem do filho a Estocolmo
  2. nas fotografias oficiais todos os laureados se encontravam de frente para a câmara, excepto Landsteiner que se sentou de perfil.
Para além da contribuição para a Medicina Transfusional, Landsteiner realizou outros estudos em diversas áreas, igualmente importantes.
Aos 71 anos (1939) aposentou-se do Instituto Rockfeller, mas continuou a trabalhar num pequeno laboratório com alguns dos seus assistentes. Os seus últimos anos de vida foram despendidos em estudos sobre tumores malignos, por surgirá sua mulher uma neoplasia na tiróide, da qual viria a morrer.
"Assim, através da pesquisa infatigável efectuada na tranquilidade do seu laboratório, Landsteiner tornou-se um dos maiores benfeitores da humanidade. Onde quer que no mundo de hoje se efectue uma transfusão, onde quer que uma mãe preocupada descubra que a vida do filho foi salva, Landsteiner estará ao seu lado a acompanhá-la, embora não o possamos ver."
Prof. Herman Chiari
Glória Almeida

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Karl Gauss



Matemático, astrónomo e físico alemão. Nasceu em Brunswick em 30/04/1777 e faleceu em 23/02/1855 na cidade de Göttingen. Aprendeu a ler e trabalhar com os números sem a ajuda de ninguém. Quando ainda criança, percebeu mentalmente um erro nas contas do pai, um empreiteiro.  A sua educação superior, bem como a secundária foi, assegurada pelo duque de Brunswick, que se impressionava com as habilidades matemáticas de Gauss. Um de seus teoremas foi a maior contribuição, na época, que a geometria euclidiana teve em 2200 anos.

Aos 12 anos criticava os fundamentos da geometria da época. Aos 13 já projetava uma geometria não-euclidiana. Aos 16 criou um método utilizado até hoje para determinar os elementos da órbita de um planeta com medidas tomadas da Terra.
Aos 18 determinou o método dos quadrados mínimos.

Aos 22 determinou as funções elípticas.

Formou-se em 1798 na Universidade de Göttingen.

As suas maiores contribuições foram na Física e principalmente na Matemática.

Formulou a teoria dos erros e também desenvolveu um método geral para as resoluções de equações binomiais.

Estudou óptica, a electricidade e sobretudo o magnetismo, sobre o qual publicou Teoria geral do magnetismo terrestre (1839).

Muitas de suas obras só foram publicadas postumamente.



Principais obras:
Disquisitiones arithmeticae (1798; Discussões aritméticas): Nesta obra, Gauss estuda as congruências, as formas quadráticas, as convergências das séries etc.

Theoria motus corporum coelestium (1809; Teoria do movimento dos corpos celestes).

Teoria geral do magnetismo terrestre (1839).

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Isaac Newton


Era um fim de tarde de 1606. O jovem Isaac Newton, com um livro debaixo do braço, penetrou no pomar da mãe, no coração da Inglaterra. Sentou-se sob uma árvore e a mais famosa maçã da história caiu. Certamente que lhe doeu, mas também fez com que o jovem cientista de vinte e três anos pensasse no assunto.
No mesmo dia, Isaac debatia-se com o problema do que mantinha a Lua na sua órbita à volta da Terra e os planetas nas suas rotas em volta do Sol. Foi depois de pensar sobre a causa da queda da maçã, que ele começou a encontrar a resposta para aquelas questões.
A Infância...

Newton nasceu pouco depois da meia-noite do dia de Natal de 1642. Foi um parto prematuro e o médico que assistiu não esperava que ele sobrevivesse. O seu pai, um agricultor bastante próspero, morreu três meses antes do nascimento de Isaac, deixando a mulher, Hannah, com a responsabilidade das propriedades e o cuidado da frágil criança.

Quando tinha 3 anos a mãe decidiu voltar a casar; o novo marido era um clérigo rico, Barnabas Smith. Após o casamento, ele aconselhou-a a deixar o filho a viver com a avó. Hannah e Barnabas mudaram-se para a aldeia onde ele era prior.

A infância de Isaac foi um período muito solitário, fez poucos amigos e era normalmente introvertido. Fechava-se frequentemente num quarto das traseiras da casa da avó e passava lá o dia construindo modelos e ferramentas.

Quando tinha 10 anos, o padrasto morreu e a sua mãe voltou para casa onde Newton vivia com a avó. Dois anos mais tarde, Isaac foi para o liceu, situado perto da casa do tio com quem ficou a viver. Foi considerado um aluno médio pelos professores e insociável pelos seus colegas. Ignorava o trabalho da escola e passava a maior parte do tempo a construir modelos e a fazer as suas próprias experiências.

Em 1659, Hannah decidiu retirar o filho do liceu e pô-lo a trabalhar na propriedade agrícola da família. Mas, felizmente, o seu génio já tinha sido reconhecido pelo tio com quem vivera e pelo director do liceu. Além disso, a sua capacidade de trabalho na lavoura não era das melhores, deixando frequentemente o trabalho inacabado. Assim, devido à persuasão destes dois homens, Newton foi admitido na Universidade de Cambridge em 1661.

Cambridge, Prismas e a Teoria da Luz...

A mãe de Isaac não tinha recursos para pagar todos os custos universitários; por isso ele entrou na universidade como um bolseiro especial; em vez de receber uma bolsa, pagava à Universidade com trabalho, limpando os quartos.

Numa tarde de Domingo de 1664, Isaac e John Wickins, o seu companheiro de quarto, decidiram visitar uma feira. Enquanto conversava com John, o seu olhar foi atraído por um objecto que brilhava ao sol de fim de tarde, um prisma.

Como os prismas eram considerados brinquedos, os cientistas nunca se tinham preocupado em fazer experiências com eles, contentando-se em maravilhar-se como o efeito de arco-íris, ao qual Newton denominou de espectro. Não satisfeito com a simples observação, traduziu-a para a linguagem matemática e apresentou hipóteses. Foi isto que o fez tão diferente dos cientistas da sua época.

Isaac descobriu que a luz visível, a luz que nos permite ver o mundo, era constituída por todas as tonalidades do arco-íris. Quando estas se encontram misturadas, vê-se luz branca. Quando falta uma parte do espectro, a luz já não aparece branca, mas de cor.

A publicação das descobertas de Newton causaram grande impacto no fabrico de lentes e permitiram transformar o microscópio num instrumento mais sofisticado. No entanto, o resultado mais importante do trabalho de Newton sobre a luz foi o aparecimento de uma nova ciência, a Espectroscopia.

Em Abril de 1664, depois de três anos de estudo, tornou-se num verdadeiro bolseiro, deixando de fazer os trabalhos a que era obrigado. Um ano mais tarde foi-lhe concedido o bacharelato. Isto significava que ele poderia passar mais quatro anos no Trinity College, continuando qualquer outro curso.

A Peste e a Maçã...

No verão de 1665 uma grande calamidade abateu-se sobre o país: a Grande Peste. Cambridge tornara-se, então, demasiado perigosa para ser habitada e a Universidade foi encerrada. Newton voltou para a sua terra natal, onde pretendia continuar os seus estudos. No fim do Verão deu-se a grande descoberta quando ocorreu o incidente da maçã, e Newton começou a trabalhar na sua Teoria da Gravidade Universal. Quando a maçã caiu sobre a sua cabeça, ele soube que esta tinha sido atraída para a Terra pela mesma força invisível que mantinha os planetas nas suas órbitas: a Força da Gravidade. Mas outra questão surgiu: se era esse o caso, por que é que os planetas não se despenhavam contra o Sol, tal como a maçã contra o solo?

Já de volta a Cambridge, tudo parecia fazer sentido, tinha de haver outra força, que produzia o efeito de repulsão sobre os planetas e que era equivalente à força atractiva do Sol: a Força Centrífuga. E ela só se manifestava quando um corpo rodava em volta de outro, a uma velocidade suficiente. Fora por isso que a maçã não flutuava sobre a sua cabeça, ela não estava a girar à volta da Terra como a Lua, não sofrendo, por isso, a força centrífuga, e fora atraída para o chão por causa da força da gravidade.

Professor Isaac Newton e a Royal Society...

Com 26 anos, Newton tornou-se o mais jovem Professor de Matemática da história de Cambridge, depois do seu grande amigo, o Professor Barrow decidir reformar-se e nomeá-lo como seu sucessor.

O lugar de professor exigia que ele fizesse conferências várias vezes por ano, mas Newton era um fraco orador. O número dos assistentes desceu gradualmente e, numa famosa ocasião, ele deu uma conferência para uma sala vazia.

No início de 1672, Newton foi convidado a tornar-se membro da distinta "Royal Society", um pequeno círculo constituído por cientistas de categoria superior. Logo após se ter associado, fez uma demonstração para todos os membros da sua Teoria da Luz. Foi nessa palestra que conheceu outro grande cientista, Robert Hooke. Este considerava-se o especialista na área da Luz e discordava da teoria de Newton. Pela primeira vez, Newton confrontava-se com um cientista que lhe era equiparado. Durante muitos anos, acérrimas discussões assolaram a Royal Society e toda a comunidade científica.

Devido às frequentes discussões, Newton decidiu abandonar a Física e a Matemática e dedicar-se à Alquimia. Os alquimistas não eram cientistas, pareciam-se mais com feiticeiros. Mas Newton estava convencido que podia dar uma contribuição valiosa a esta inexplorada área da ciência. Usou os seus métodos científicos na Alquimia mas, ao contrário do que acontecera com a Física e Matemática, não fez grandes descobertas nesta área.

Leis do Movimento e os Principia...

Os seus estudos em Alquimia foram interrompidos com a noticia de que sua mãe estava a morrer. Durante seis meses o seu tempo foi ocupado a tratar de assuntos referentes à propriedade da mãe. Levou meses a perceber o funcionamento do solar e da propriedade agrícola, e só no início de 1680 pôde entregar a propriedade a um gestor competente e voltar para Trinity.

As querelas entre Newton e Hooke voltaram, agora, sobre as Leis do Movimento que Newton se encontrava a desenvolver e que Hooke reclamara que as tinha pensado primeiro, faltando-lhe só o "fatigante" trabalho de cálculo. Mas só publicou os seus estudos após persuasão de um dos seus melhores amigos, o cientista Edmund Halley; que o convenceu a escrever um relato completo das suas maiores descobertas. Newton precisou de dois anos para acabar o seu livro, trabalhando dia e noite para o completar.

A 28 de Abril de 1686 o livro estava finalmente pronto, chamava-se Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, mas é normalmente conhecido como Principia. Ninguém sabe realmente de que doença Newton sofreu entre 1693 e 1696. Alguns afirmaram que ele teve um esgotamento nervoso, outros simplesmente que ele estava fisicamente exausto. Esses anos foram considerados mais tarde pelo próprio como os piores da sua vida, em que pouco conseguiu no campo da Física e não fez nenhum progresso real na Alquimia. O apoio de todos os amigos fez com que gradualmente sai-se da depressão e da sua doença física.

A Casa da Moeda Real e a Presidência da Royal Society ... até ao fim.

Em 1696, Newton foi convidado para assumir o importante cargo de Administrador da Casa da Moeda Real. Aceitou imediatamente a oferta e durante algum tempo abandonou por completo a pesquisa científica e lançou-se numa nova carreira. A Inglaterra estava a mudar a sua cunhagem e necessitava fortemente de ser actualizada e melhorada, e Newton revelou-se o homem ideal para conseguir que esta mudança se desse com suavidade.

Em 1703, os membros da Royal Society elegeram Newton como o seu novo líder. Quando assumiu a presidência, o número de membros era o mais baixo de sempre. Mas, Newton transformou-a na instituição respeitada e mundialmente famosa que é hoje.

Em 1704, foi persuadido a publicar o trabalho que começara quando ainda era graduado em Cambridge, chamou–lhe Opticks. Neste livro, descreveu as suas descobertas com a Luz e foi outro sucesso imediato.

No ano posterior à publicação de Opticks, Newton foi armado cavaleiro pela rainha Ana, em recompensa pelos trabalhos realizados.

Durante mais 33 anos manteve a ilustre posição que ocupava tanto na Ciência como no funcionalismo público. Não publicou mais nenhum trabalho de grande importância, mas, na verdade, já tinha oferecido ao mundo dois dos maiores trabalhos publicados até então.

Sir Isaac Newton faleceu a 20 de Março de 1727 com 84 anos, tendo estado doente durante vários meses. Foi enterrado na Abadia de Westminster, em Londres, a 4 de Abril.

"Na minha opinião, os maiores génios criativos foram Galileu e Newton, a quem vejo, em certo sentido, como uma unidade. E nesta unidade Newton é aquele que atingiu a mais imponente realização no reino da ciência." 
Albert Einstein

"Não sei o que pareço ao mundo, mas, a mim, parece-me ter vivido apenas como um rapazinho brincando à beira do mar divertindo-se ... enquanto o grande oceano da verdade se estendia, por descobrir, na minha frente." 
Isaac Newton

Glória Almeida

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Richard Boyle

(1627 - 1691) Químico e físico irlandês naturalizado britânico, natural de Lismore Castle, em Lismore, Irlanda, redirecionador metodológico da física e da química modernas em função da valorização das medidas e da racionalidade das deduções experimentais. Um dos catorze filhos de Richard Boyle, o primeiro conde de Cork, estudou em Eton e em vários centros culturais europeus, desenvolvendo conhecimentos com as principais correntes do pensamento da época e tornando-se um admirador da obra de Galileu. Viajou vinte anos pela Europa, inicialmente se dedicando à difusão da fé cristã e ao estudo das línguas orientais, além de se aprofundar na pesquisa científica. De volta à Inglaterra, escreveu diversos ensaios filosóficos e começou seus estudos de física e química. Embora seu principal interesse fosse a química, era também fascinado pelas propriedades físicas do ar. Foi um dos fundadores da Royal Society, a partir de um movimento iniciado entre os cientistas da época (1644).

Transferiu-se para Oxford (1654), onde realizou sua maior produção científica. A partir dos trabalhos de Von Guerrick, incentivou Hooke a aperfeiçoar a bomba de vácuo e ambos construíram uma máquina pneumática para desenvolvimento de pesquisas com gases (1659), especialmente com o ar. Publicou Novas experiências físico-mecânicas, tocando a mola do ar (1660), sobre máquinas propulsoras de ar e geradoras de vácuo, criadas juntamente com Robert Hooke. Ambos construíram uma bomba pneumática, que permitiu demonstrar a impossibilidade de se obter o vácuo absoluto.

Analisando o ar, descobriu que ele servia de meio para a propagação do som e que era compressível por ser constituído de partículas minúsculas que se movem no vácuo. Verificou também que seu volume era inversamente proporcional à pressão a que era submetido (anos depois o abade francês Edme Mariotte deu maior precisão a essa lei, observando que só era válida sob temperatura constante). Outra de suas descobertas importantes foi a de que a água se expandia ao se congelar.

Notabilizou-se pelos desenvolvimento de estudos sobre a dilatação dos gases, publicados em The Sceptical Chymist (1661), um dos primeiros textos científicos em que a química se diferencia da alquimia e da medicina. Nela atacou a teoria aristotélica dos quatro elementos (terra, ar, fogo e água) e também os três princípios (sal, enxofre e mercúrio) propostos por Paracelso, desenvolvendo o conceito de partículas primárias que, por combinação, produziriam corpúsculos. Todos os fenômenos naturais, por conseguinte, se explicavam não pelos elementos e qualidades aristotélicas, mas sim pelo movimento e organização de partículas primárias.

Também com Hooke publicou Alguns ensaios fisiológicos (1662), onde formulou a importante Lei de Boyle. Foi a partir de suas definições químicas e reações que se iniciou a separação entre química e alquimia. Estabelecendo-se em Londres (1668), foi eleito presidente da Royal Society (1680), mas declinou da honra por não concordar com os termos do juramento de posse. Os seus múltiplos interesses intelectuais levaram-no a montar uma gráfica em que imprimiu diversas traduções da Bíblia. Durante alguns anos dirigiu a Companhia das Índias Orientais e, sem abandonar a pesquisa, dedicou os últimos anos de vida a pregação religiosa.

domingo, 29 de outubro de 2017

Rudolf Emmanuel Clausius

(1822 - 1888) Físico alemão nascido em Köslin, na Prússia, agora Koszalin, Polônia, um dos fundadores da ciência da termodinâmica moderna.

Filho de um pastor e professor, estudou nas universidades de Berlim e Halle. Apresentou um artigo corrigindo a teoria calórica de Carnot, aproximando-a ao trabalho de Joule, demonstrando que calor não era um fluido e, sim, uma forma de energia, ou seja, formulando o segundo princípio da termodinâmica e dando importante contribuição para o desenvolvimento da teoria cinética dos gases (1850). Foi (1855-1888) sucessivamente professor no Polytechnic Institute, em Zurique, e nas universidades de Würzburg e Bonn.

A partir do teorema de Carnot, definiu a nova grandeza: a entropia (1865). Sua teoria sobre eletrólise antecipou em parte a teoria iônica do químico sueco Svante Arrhenius.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

René Descartes

René Descartes ( 1596-1650 ), filósofo e matemático francês. Fundador da geometria analítica e um dos iniciadores da moderna filosofia. Autor do "Discurso do método" e "Meditações metafísicas". Foi educado em escolas jesuíticas, tendo deixado a França, indo viver na Holanda, onde permaneceu por quase toda a sua existência.

Elaborou uma teoria segundo a qual o universo estaria organizado em vórtices em permanente estado de rotação, estando localizado em cada um deles um corpo celeste. O vórtice que conteria a Terra estaria em órbita em torno do Sol.

Descartes tinha uma concepção mecanicista do universo. Para ele, tudo poderia ser descrito como constituído de componentes mais simples, pensamento que Einstein utilizara séculos após, para desenvolver a Teoria da Relatividade Geral. Os componentes mais simples são o ponto, a distância e o movimento. Era tão mecanicista que mesmo descrevendo o corpo humano buscou fazê-lo através de um sistema de mecanicismos mecânicos. Afirmava que a própria alma humana, estaria situada fora do corpo humano e que o relacionamento entre ambos seria feito através da glândula pineal, localizada no cérebro.

Em matemática, foi o primeiro a utilizar de modo sistemático as letras do alfabeto representativamente, como constantes, variáveis e incógnitas. Estabeleceu a utilização dos expoentes e o símbolo de raiz quadrada.

Seus biógrafos contam que a sua realização mais famosa no campo da Matemática, aconteceu enquanto estava na cama ( Descartes tinha saúde debilitada ) e observava uma mosca voando. Atentou para o fato de que toda posição ocupada pela mosca podia ser determinada pela intersecção de três planos ortogonais, paralelos às paredes do aposento. Isto o teria levado a desenvolver o sistema de coordenadas que até hoje utilizamos para produzir gráficos bi e tridimensionais: a representação do espaço cartesiano.

A representação cartesiana leva Descartes a desenvolver a Geometria Analítica, e pela primeira vez na história da Matemática, consegue-se a integração entre Álgebra e Geometria, propondo um novo campo de trabalho que teria desdobramentos enormes nos séculos seguintes.

Em 1649 Descartes aceita convite para trabalhar na corte da Suécia. O clima do país, imprópio para a sua saúde, o leva a morrer de pneumonia durante o primeiro inverno que ali viveu.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Thomas Edison


Thomas Alva Edison nasceu no dia 11 de Fevereiro de 1847, no seio de uma família de classe média de Milan, Ohio, EUA. Quando tinha sete anos a família mudou-se para Port Huron, Michigan, EUA. Devido à sua dificuldade em concentrar-se e às perguntas insistentes que faziam irritar o professor, saiu da escola 12 semanas depois do início das aulas. A educação do pequeno Thomas ficou a cargo da sua mãe, permitindo-lhe então orientar os seus próprios estudos. Incentivado pela mãe, montou um laboratório no seu quarto, onde fazia experiências que, por vezes, abanavam a casa.

Para conseguir mais dinheiro para as suas experiências, deixou definitivamente a escola aos 12 anos — até porque nem ouvia bem o professor — e começou a trabalhar. Arranjou um emprego como ardina no comboio que fazia a ligação entre Port Huron e Detroit. Além dos jornais vendia sanduíches, doces e fruta aos passageiros. O guarda da estação tinha-lhe autorizado a guardar os doces e os jornais num vagão vazio; a pouco e pouco Edison mudou o seu laboratório também para lá... até ao dia em que houve um incêndio na carruagem! Durante este período, a surdez de Edison tornara-se evidente.

Edison desenvolveu um grande interesse por telegrafia. [Mais tarde até deu as alcunhas de "Dot" (ponto) à filha e "Dash" (traço) ao filho]. Depois de algumas aulas tornou-se telegrafista na sua terra natal. Mas como já fizera no seu vagão-laboratório, quase fez explodir o gabinete onde trabalhava. Durante os cinco anos seguintes, o jovem Thomas trabalhou por toda a parte.

Num dos seus muitos empregos trabalhava à noite. E tinha que enviar um sinal para a central para mostrar que estava acordado. Edison inventou um sistema que, de hora a hora, enviava automaticamente um sinal, permitindo-lhe dedicar-se a outras actividades, tais como dormir! Um dos seus primeiros inventos foi uma ratoeira eléctrica que ele utilizava para caçar os ratos que populavam o seu quarto de pensão.

Em 1869 mudou-se para Nova Iorque com a intenção de se estabelecer como inventor independente. Quando chegou, estava esfomeado e sem dinheiro, mas a reparação de um indicador de preços na bolsa de Wall Street valeu-lhe um contrato com a Western Union. Este trabalho permitiu-lhe estabelecer-se por conta própria em Newark. Nesta altura casou-se com uma das suas empregadas, Mary Stilwell — segundo a história, logo após o casamento, foi directamente para a oficina, de onde só voltou a altas horas!...

Em 1876, Edison decidiu mudar-se para Melo Park, New Jersey, onde montou uma "fábrica de inventos". No ano seguinte, desenvolveu o fonógrafo e o transmissor de carbono para telefones. Edison tinha verificado que se falasse para um diafragma (disco fino) onde estava montado um estilete, este deixava marcas num pedaço de papel "couché". E se puxasse novamente o papel sob o estilete, produzia-se som. Após profundo desenvolvimento, o fonógrafo funcionava do seguinte modo: a voz do utilizador fazia vibrar o diafragma de gravação, enquanto o cilindro coberto com papel de estanho ia girando sob a agulha do diafragma, este fazendo cortes na folha de estanho que variavam conforme o som. Quando a gravação estava completa, a agulha era substituída por outra, e, girando novamente o cilindro, a máquina reproduzia as palavras.


Este invento deu-lhe fama e reconhecimento mundial. Pouco depois da invenção do fonógrafo, Edison iniciou um projecto muito mais audacioso — a lâmpada eléctrica. Testou diversos filamentos na lâmpada, com o objectivo de encontrar um que se inflamasse e brilhasse sem se derreter, quando a electricidade passasse através dele. Optou, então, pelo algodão enrolado em carbono. Encerrou o filamento num globo de vidro de onde retirou todo o ar, de forma a criar vácuo. Esta lâmpada funcionou durante 40 horas e foi um sucesso!! Outros inventores tentaram igualmente criar uma lâmpada, mas apenas brilhava por alguns minutos. O seu objectivo final com esta invenção era iluminar Nova Iorque: tinha a ideia que as casas que usassem energia eléctrica ficassem ligadas a uma central eléctrica através de fios de cobre.

A instalação eléctrica foi feita num circuito fechado em que a corrente circulava simultaneamente em dois sentidos, pondo os elementos do circuito em paralelo. Assim, fundindo-se uma lâmpada, as outras ficavam acesas. Quando inaugurou o primeiro serviço de distribuição eléctrica instalado na cidade de Nova Iorque, em 1882, contava com 85 utilizadores.

Mais tarde adaptou o invento da lâmpada para desenvolver o comboio eléctrico, e fundou os caminhos de ferro eléctricos da América. Em 1887 abriu um laboratório em West Orange, New Jersey. Aqui criou a sua câmara e o projector para filmes animados, no ano de 1891.

Edison morreu em Outubro de 1931. A América homenageou-o, apagando todas as luzes por alguns momentos. A Thomas Edison são atribuídas mais de 1000 patentes, tornando-o no maior inventor de todos os tempos!

Glória Almeida

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Thomas Edison


(1847 - 1931) Inventor norte-americano nascido em Milan, Ohio, que registrou 1.093 patentes de inventos, sendo o mais conhecido o da lâmpada incandescente. Filho de um operário de ferro-velho foi alfabetizado pela mãe. Aos 12 anos foi trabalhar como vendedor de jornais, foi vendedor de livros e telegrafista numa ferrovia e, durante a Guerra de Secessão, instalou uma impressora num vagão de trem e fundou seu próprio semanário, The Weekly Herald, onde foi redator, impressor e vendedor. Desde criança demonstrou curiosidade e poder de observação e com a mudança da família (1854) para uma casa espaçosa em Port Huron, Michigan, instalou no sótão um laboratório de química, onde durante dias inteiros realizava experiências científicas. Ali começou a fabricação de aparelhos de utilidade prática, como telégrafos rudimentares. Seu primeiro invento patenteado foi um contador automático de votos (1868).

Dois anos depois (1870) fundou em Newark, Nova Jersey, sua própria empresa, especializada na fabricação de um aparelho que transmitia telegraficamente as cotações da bolsa, o qual logo lhe proporcionou grandes ganhos. Mudou-se para Menlo Park, perto de Nova York (1872), onde iniciou uma intensa pesquisa em diferentes áreas tecnológicas. Nos anos seguintes patenteou diversos outros inventos, como um dispositivo para agilizar transmissões telegráficas, uma pena elétrica que simplificava a duplicação em mimeógrafo, e o microfone de carvão, que permitiu as transmissões telefônicas, o aerofone, um aparelho de ar comprimido, uma espécie de trombeta que aumenta o volume da voz humana e a tornava audível a grande distância, o regulador de corrente para máquina elétrica, o aparelho de alto vácuo e o medidor elétrico.

Inventou o microfone (1877), o fonógrafo (1878) e a lâmpada incandescente (1879), com filamento de carvão muito fino, mantido no interior de um bulbo de vidro submetido a vácuo, e, simultaneamente com o inglês Swan, construiu a primeira lâmpada elétrica industrializável (1880).

Projetou e construiu a primeira usina hidrelétrica (1881-1882). Patenteou a chamada válvula de Edison (1883), precursora da válvula de rádio, formada por uma lâmpada incandescente com uma placa metálica no interior, em volta do filamento. Descobriu o efeito termiônico - a formação de uma corrente elétrica fraca entre um filamento aquecido e uma placa metálica no vácuo parcial - (1883), base para construção das válvulas, a primeira válvula eletrônica (1834). Associou-se, então, com Joseph Wilson Swan (1887) para produzir as lâmpadas Ediswan.

Fundou a Edison General Eletric (1888), empresa que se transformou num dos maiores fabricantes multinacionais de lâmpadas e equipamentos elétricos leves e pesados.

Inventou o cinetoscópio (1891). Durante a primeira guerra mundial, trabalhou para o governo, introduziu diversos melhoramentos em navios e embarcações pequenas e aperfeiçoou métodos de produção de substâncias químicas. Foi eleito membro da Academia Nacional de Ciências (1927), quando já havia registrado mais de mil invenções. Denomina-se efeito Edison a emissão de elétrons e conseqüente aparecimento de corrente do filamento para a placa.

sábado, 21 de outubro de 2017

Werner Karl Heisenberg


Werner Karl Heisenberg. Físico alemão (Würzburg, 5-12-1901 — Munique, 1-2-1976). Filho de August Heisenberg, professor de história bizantina, estudou física teórica na universidade de Munique, onde foi aluno de Arnold Sommerfeld. Doutorou-se em 1923.

Embora bastante jovem, foi convidado para assistente de Max Born em Göttien, onde se tornou professor contratado no ano seguinte.

Trabalhou por três anos com Niels Bohr em Copenhague. Em 1927, aceitou o lugar titular da cadeira de física teórica, em Leipzig.

Em 1942, foi nomeado diretor do instituto Max Planck em Berlim e, a partir 1946, transferiu-se para o instituto do mesmo nome em Göttingen.

O instituto se mudou em 1958 para Munique, ocupando-se também, daí por diante, de astrofísica. Heisenberg concentrou então sua atenção na teoria das partículas elementares.

Seus trabalhos a respeito da teoria dos quanta exerceram decisiva influência na física moderna e deram-lhe o prémio Nobel de Física de 1932. Dedicada, desde o início, ao estudo dos elementos constitutivos da matéria, a obra de Heisenberg revolucionou a interpretação dos núcleos atómicos, aplicando a teoria dos quanta à interligação dos protões e neutrões por troca de forças. Além de oferecer uma interpretação para o ferromagnetismo, explica o 'efeito Zeeman', que não tinha solução na física clássica.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

William Thomson

(1824 - 1907) Matemático e físico irlandês, nascido em Belfast, Irlanda do Norte, uma das figuras mais notáveis da geração de cientistas britânicos que deram imensa contribuição para o avanço da física durante o século XIX. Filho de um professor de matemática, após a morte da mãe, sua família mudou-se para Glasgow (1829), onde seu pai foi professor universitário e iniciou os estudos de física e matemática (1834). Formado na Universidade de Cambridge (1845), foi nomeado professor da Universidade de Glasgow (1846), inicialmente de filosofia natural, depois se dedicando à ciência experimental, onde permaneceu até o fim da carreira, por 53 anos. Seus principais trabalhos científicos trataram dos fenômenos de transformação da energia. A partir dos descobrimentos sobre a natureza do calor, realizados separadamente por Jean-Baptiste-Joseph Fourier e James Joule, construiu uma teoria unitária dos fenômenos associados às trocas energéticas entre diversos componentes dos sistemas físicos, elaborando, assim,a segunda lei da termodinâmica, segundo a qual a entropia, grandeza que determina o grau de desordem molecular, tende a aumentar em qualquer sistema isolado.

Durante sua vida de brilhante cientista, publicou mais de 650 importantes artigos científicos sobre os mais variados assuntos como escoamentos laminares, vórtices, ondas em canais abertos, capilaridade, flutuação de navios, termodinâmica, etc. Descobriu que a descompressão dos gases provocava esfriamento e criou uma escala de temperaturas absolutas (1832), definindo a equação matemática apropriada para expressar o trabalho de Joule, tornando-se seu grande feito no campo da termodinâmica.

A escala absoluta, também dita escala termodinâmica ou escala Kelvin (T K = T°C + 273,15), tem como ponto de partida do zero absoluto, para medição de temperaturas (1848). Introduziu o termo termodinâmico (1849), formulou as leis da conservação e da dissipação da energia, inventou o galvanômetro (1851) e descobriu o resfriamento provocado pela expansão de gases (1852).

Ainda hoje é muito lembrado por sua contribuição para o aperfeiçoamento dos cabos telegráficos e a construção de um cabo submarino transatlântico de telecomunicação (1866). Contemporâneo de Reynolds, deve-se a este cientista a introdução na Hidráulica do termo turbulência (1887), do inglês turbulence, para designar o estado do escoamento dos fluidos além do número crítico de Reynolds. Aperfeiçoou o tubo de raios catódicos (1887) e foi recompensado pela rainha Vitória com título de Lord Kelvin de Largs, Escócia (1892). É considerado o maior cientista e inventor britânico (patenteou cerca de 70 invenções). Obs: o 0° Kelvin (equivalente a - 273,15°C ou 459,6°F) ou o zero absoluto não existe em estado natural. A esta temperatura a atividade molecular ou atômica é nula, o que significa total inércia de vibrações ou deformações de ligações.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Walter Hermann Nerst

(1864 - 1941) Físico-químico germânico nascido em Briesen, Prússia, que postulou a terceira lei da termodinâmica (1901) segundo a qual, a temperaturas próximas do zero absoluto, toda matéria tende a mover-se aleatoriamente e toda energia tende à dissipação, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Química (1920). Estudou nas universidades de Zurique, Berlim, Graz (Áustria) e Würzburg e passou a trabalhar em Leipzig como assistente de Wilhelm Ostwald (1887) que, juntamente com Jacob van't Hoff e Svante Arrhenius, lutava pela afirmação da físico-química como ciência independente. Nomeado professor do departamento de física da Universidade Göttingen (1890) fundou um centro para experiências sobre eletrólitos e publicou Theoretische Chemie (1893), um livro texto clássico de físico-química. Também interessado por ciência aplicada, aperfeiçoou a lâmpada elétrica de incandescência, a lâmpada incandescente de Nernst (1897) e inventou um piano de amplificação eletrônica.

Assumiu (1905) a cadeira de físico-química da Universidade de Berlim, onde descobriu um método elétrico em calorimetria (1906) para medir calores específicos a temperaturas muito baixas, a partir do qual elaborou o terceiro princípio da termodinâmica. Com seus estudos de fotoquímica desenvolveu a teoria da reação da corrente de átomos, que esclarecia fenômenos até então incompreensíveis (1918). Também foi diretor do Instituto de Física Experimental da Universidade de Berlim (1924-1933). Depois de muitos trabalhos de sucesso sobre o funcionamento das pilhas, termodinâmica do equilíbrio químico, propriedades do vapor a altas temperaturas e dos sólidos a baixas temperaturas, e sobre mecanismos da fotoquímica, de grande importância para aplicações na indústria e na ciência, morreu em Ober-Zibelle, perto de Muskan, Alemanha, quando se dedicava a estudos sobre astrofísica.

domingo, 15 de outubro de 2017

William Thomson

(1824 - 1907) Matemático e físico irlandês, nascido em Belfast, Irlanda do Norte, uma das figuras mais notáveis da geração de cientistas britânicos que deram imensa contribuição para o avanço da física durante o século XIX. Filho de um professor de matemática, após a morte da mãe, sua família mudou-se para Glasgow (1829), onde seu pai foi professor universitário e iniciou os estudos de física e matemática (1834). Formado na Universidade de Cambridge (1845), foi nomeado professor da Universidade de Glasgow (1846), inicialmente de filosofia natural, depois se dedicando à ciência experimental, onde permaneceu até o fim da carreira, por 53 anos. Seus principais trabalhos científicos trataram dos fenômenos de transformação da energia. A partir dos descobrimentos sobre a natureza do calor, realizados separadamente por Jean-Baptiste-Joseph Fourier e James Joule, construiu uma teoria unitária dos fenômenos associados às trocas energéticas entre diversos componentes dos sistemas físicos, elaborando, assim,a segunda lei da termodinâmica, segundo a qual a entropia, grandeza que determina o grau de desordem molecular, tende a aumentar em qualquer sistema isolado.

Durante sua vida de brilhante cientista, publicou mais de 650 importantes artigos científicos sobre os mais variados assuntos como escoamentos laminares, vórtices, ondas em canais abertos, capilaridade, flutuação de navios, termodinâmica, etc. Descobriu que a descompressão dos gases provocava esfriamento e criou uma escala de temperaturas absolutas (1832), definindo a equação matemática apropriada para expressar o trabalho de Joule, tornando-se seu grande feito no campo da termodinâmica.

A escala absoluta, também dita escala termodinâmica ou escala Kelvin (T K = T°C + 273,15), tem como ponto de partida do zero absoluto, para medição de temperaturas (1848). Introduziu o termo termodinâmico (1849), formulou as leis da conservação e da dissipação da energia, inventou o galvanômetro (1851) e descobriu o resfriamento provocado pela expansão de gases (1852).

Ainda hoje é muito lembrado por sua contribuição para o aperfeiçoamento dos cabos telegráficos e a construção de um cabo submarino transatlântico de telecomunicação (1866). Contemporâneo de Reynolds, deve-se a este cientista a introdução na Hidráulica do termo turbulência (1887), do inglês turbulence, para designar o estado do escoamento dos fluidos além do número crítico de Reynolds. Aperfeiçoou o tubo de raios catódicos (1887) e foi recompensado pela rainha Vitória com título de Lord Kelvin de Largs, Escócia (1892). É considerado o maior cientista e inventor britânico (patenteou cerca de 70 invenções). Obs: o 0° Kelvin (equivalente a - 273,15°C ou 459,6°F) ou o zero absoluto não existe em estado natural. A esta temperatura a atividade molecular ou atômica é nula, o que significa total inércia de vibrações ou deformações de ligações.
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